.tokyo eye

Era uma vez uma menina adorável chamada isabela. Gostava de assistir desenhos de madrugada, de compartilhar seus doces com sua melhor amiga, chorava quando via animais machucados, chorava muito. Chorou quando seu peixe morreu. Chorava quando assistia filmes. Chorou muito quando perdeu o colarzinho que sua vó a deu na infância. Chorou uns dois dias. 
Sabia fazer bolos maravilhosos, tinha um ursinho com algum nome. 
Ela estava sempre com cheirinho de sabonete. Falava não muito alto.  
Gostava de teatro, arte, moda e fotografia. Gostava de comprar roupas de brechó, e sempre usava all star. Sempre dava flores pros seus pais, e adorava crianças. Sonhava em um dia fazer trabalho voluntário e ajudar pessoas.  A dor dos outros era a dor de isabela, e ela chorava, mais um pouco.
Sabia tocar piano muito bem e gostava muito de beethoven e tchaikovsky. 
Costumava colocar enfeites de flor no cabelo, e fechava os olhos quando sorria.
Isabela sofreu um acidente na infância, que deformou seu rosto. Apesar das inúmeras cirurgias, seu rosto era cheio de cicatrizes e o lábio e o nariz eram bem deformados. 
Isabela entrou na fase adulta, começou a trabalhar. As pessoas sempre olhavam para ela com aquela cara de quem está segurando o riso. Não tinha nenhuma deficiência mental, mas era bem tímida, pois tinha sido humilhada durante toda a sua vida desde o acidente. Mas assim era tratada, como uma pessoa anormal, doente mental, como um ser digno de muita dó. Alguns, com um pouco de coração, sempre se comoviam quando a viam com alguma dificuldade, e só de olhar pra ela sentiam uma enorme tristeza.
Isabela nunca brilhou, nunca foi uma estrela.