.tokyo eye

Nov 26

Era uma vez uma menina adorável chamada isabela. Gostava de assistir desenhos de madrugada, de compartilhar seus doces com sua melhor amiga, chorava quando via animais machucados, chorava muito. Chorou quando seu peixe morreu. Chorava quando assistia filmes. Chorou muito quando perdeu o colarzinho que sua vó a deu na infância. Chorou uns dois dias. 
Sabia fazer bolos maravilhosos, tinha um ursinho com algum nome. 
Ela estava sempre com cheirinho de sabonete. Falava não muito alto.  
Gostava de teatro, arte, moda e fotografia. Gostava de comprar roupas de brechó, e sempre usava all star. Sempre dava flores pros seus pais, e adorava crianças. Sonhava em um dia fazer trabalho voluntário e ajudar pessoas.  A dor dos outros era a dor de isabela, e ela chorava, mais um pouco.
Sabia tocar piano muito bem e gostava muito de beethoven e tchaikovsky. 
Costumava colocar enfeites de flor no cabelo, e fechava os olhos quando sorria.
Isabela sofreu um acidente na infância, que deformou seu rosto. Apesar das inúmeras cirurgias, seu rosto era cheio de cicatrizes e o lábio e o nariz eram bem deformados. 
Isabela entrou na fase adulta, começou a trabalhar. As pessoas sempre olhavam para ela com aquela cara de quem está segurando o riso. Não tinha nenhuma deficiência mental, mas era bem tímida, pois tinha sido humilhada durante toda a sua vida desde o acidente. Mas assim era tratada, como uma pessoa anormal, doente mental, como um ser digno de muita dó. Alguns, com um pouco de coração, sempre se comoviam quando a viam com alguma dificuldade, e só de olhar pra ela sentiam uma enorme tristeza.
Isabela nunca brilhou, nunca foi uma estrela.

Te vi de longe, tenho problemas de visão, mas mesmo assim suas silhueta borrada me deu uma sensação de surpresa. Você foi chegando perto, e eu fui sentindo cada parte de mim estremecendo. O que antes não pulsava, voltou a pulsar. tudo vibrava, órgãos nunca tiveram tanto sentido como naquele instante. As cores inverteram, gostos, cheiros, sons. Era tudo real agora. E então você ficou bem perto. Fiquei estática e encontrava-me sorrindo de verdade.

Logo depois você foi embora. 

Peguei o ônibus das 14 horas e fui embora. O céu estava um azul quase cinza.

Jun 21

quero voltar pra sua cidade, que é de onde eu vim
quero flutuar em sonhos no meio do caos
quero te ver passsar e o céu se abrir
quando você sorrir

Abrir a ferida até o fundo, lavar bem, tudo, tudo. Mensalmente ou semanalmente. Ou quando dói. Mas que repulsa me causa toda essa sujeira nojenta. Não, não faz parte de mim, apesar de todos acharem que é um pedaço meu. Não é, não é, não é. Não aguento quando acham que é. Pra falar a verdade as vezes chego a acreditar, e penso em me eliminar. Cansa. Escondo. Mas um dia essa ferida cicatriza. Assim espero

(Source: colbydemarco)